A região Alto Uruguai – que conta com 32 municípios –  tem 12 sem nenhum acesso asfáltico. De acordo com a presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau), Adriana Tozzo, esta é uma situação atípica no Estado, porque nenhuma outra região tem tantos municípios nesta situação. Na avaliação dela, a região perde em qualidade de vida: "Não dá para pensar em desenvolvimento econômico regional sem ter pelo menos um acesso pavimentado em cada município.



Adriana afirmou que neste ano a Amau elegeu como sua bandeira de trabalho a questão dos acessos asfálticos. Ela observa que já foram realizadas inúmeras reuniões com o Daer e com a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seinfra). "O secretário da Sinfra, João Vitor Domingues, nos informou que alguns contratos foram rescindidos entre o Estado e algumas empreiteiras." Ela citou como exemplos as ligações entre Cruzaltense e Campinas do Sul, Entre Rios e Cruzaltense e Erebango e Quatro Irmãos. Ela reforçou que "foi um pedido nosso a rescisão amigável de alguns contratos para a realização de novas licitações". As obras de Itatiba do Sul até a RSC 480 (Barão de Cotegipe) serão iniciadas ainda este ano, bem como as de Faxinalzinho até Benjamin Constant do Sul. Já as obras na RSC 480 entre os municípios de Barão de Cotegipe e Ponte Preta serão assumidas por uma nova empresa ainda neste mês.



Para o prefeito de Mariano Moro, Adelar Batisti, o município melhoraria em tudo se tivesse ligação asfáltica. "Os veículos de saúde do município vão de três a quatro vezes por dia até Erechim, sempre passando por quase 15 km de chão batido", destaca. O município que fica a 30 quilômetros da divisa com Santa Catarina, produz gado de corte, de leite, frangos, milho, pastagens para o gado e frutas. "São 20 caminhões transportando frutas (laranja e bergamota), para os três estados do Sul do país. São dois empregos diretos por caminhão", avalia o prefeito. 



De Mariano Moro a Severiano de Almeida são 15 quilômetros, divididos em dois trechos, com empresas diferentes. Um deles tem 4,2 quilômetros asfaltados e um outro trecho da mesma estrada, com mais 7 quilômetros, possui a base pronta. De acordo com o prefeito, a promessa do Daer é retomar as obras nos 7 quilômetros que já têm a base pronta, ainda este ano. O outro trecho de 3,8 quilômetros ficaria para o ano que vem.



ERS 344 dificulta desenvolvimento



É antiga a reivindicação da região Noroeste do Estado quanto às condições da ERS 344, que liga a região da Grande Santa Rosa aos municípios de Santo Ângelo, Ijuí, Passo Fundo e Porto Alegre. Com desníveis na pista, buracos, acostamento precário e sem trechos duplicados, a estrada traz riscos à segurança de motoristas e passageiros, além de danos aos veículos, o que dificulta o desenvolvimento local. 



O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fernando Borella, revela que a infraestrutura das estradas locais não está acompanhando o desenvolvimento da região. "Temos duas grandes obras aprovadas pelo governo federal: duas barragens no rio Uruguai e a implantação do aeroporto regional em Santa Rosa, além da ponte internacional, com estudos em andamento. Os investimentos devem incrementar a economia da região, que precisa de acesso adequado", afirma.




Ele lembra que grandes indústrias e atacados de alimentos têm se instalado na região. Empresas já situadas têm ampliado suas estruturas e não têm recebido do Estado esta contrapartida para condições de entrada de matéria-prima e saída de produtos por via rodoviária. Além dos transtornos ao meio empresarial, os usuários com veículos de passeio acabam disputando espaço com caminhões na ERS 344, que não possui trechos duplicados. O presidente da Associação Comercial, Industrial, Serviços e Agropecuária de Santa Rosa, José Muñoz Garcia, lembra que em abril um protesto alertou as autoridades sobre a situação de diversas rodovias na região. "A única coisa que sabemos é que o Estado estava articulando a contratação de empresa para executar as obras", conclui.



Fronteira aguarda por pavimentação


A pavimentação da ERS 566, que vai ligar Alegrete a Itaqui via Maçambará, lançada no governo Yeda Crusius, está em pleno andamento. Faz um ano e meio que o trabalho foi retomado e é possível ver movimentação de homens e máquinas ao longo do primeiro lote contratado. O traçado da rodovia passa por uma rica região produtora de arroz do interior de Alegrete. O presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Pedro Pífero, disse que a estrada é considerada a segunda em importância na região para escoamento da produção de gado e de grãos. Sem pavimentação, o custo do frete de arroz encarece em torno e R$ 0,40 por saca, o que representa um percentual de 35% a mais na tabela de frete de caminhões trucados.



Para o setor orizícola daquela região, que escoa cerca de 20% de sua produção, o término das obras está sendo aguardado com expectativa, pois a logística é um dos entraves do setor. "Esta ação melhora o desenvolvimento de nossa região. Com esta estrada asfaltada teremos um custo menor no frete, mais agilidade e segurança", destaca o vice-presidente da Associação dos Arrozeiros, Daniel da Costa Gindri.