Nesta quarta-feira, final de tarde, no trecho compreendido entre Santo Cristo e Santa Rosa, nos 18 Km que unem a cidade onde resido à cidade onde labuto, tive a honra e o privilégio de acompanhar uma quinzena de caminhões com placa paraguaia.

Caminhões estes carregados de cereais, vindos do país irmão, adentrando por Porto Xavier, mas, antes, cruzando pela província de Misiones, na Argentina. As placas indicavam a origem dos caminhões: Naranjal, Santa Rita e Naranjito. Desconheço o exportador lá, apesar de supor quem seja; tampouco sei quem seria o importador, mesmo acreditando também saber quem se refira.

O trânsito de caminhões com cereais advindos do Paraguai, passando por Misiones, através do Regime Aduaneiro Especial chamado “Trânsito Aduaneiro – DTA”, abreviou o trajeto percorrido por estas empresas em pelo menos 650 Km, trazendo significativa melhora no resultado logístico e financeiro para todos envolvidos no negócio.

Importante ressaltar que a possibilidade de utilização do regime especial mencionado, deve-se à firme e determinada atuação da FEBAP, visto que, até bem pouco tempo, não era permitido o trânsito de caminhões de carga neste regime pela província argentina. Negociando com autoridades dos três países, conseguiu-se tal êxito, trazendo benefícios a todas as partes.

A chegada de tão importante quantidade de caminhões a Santa Rosa, trazendo matéria prima para as indústrias, requer reflexão acerca da internacionalização de empresas e também da Balança Comercial.

Em Santa Rosa, de janeiro a dezembro de 2011, 22 empresas importaram 38,7 Milhões de dólares FOB e 15 empresas exportaram US$ 254,4 Mi, gerando um superávit na balança comercial de Santa Rosa de US$ 215,6 Mi.

O superávit da balança comercial acumulado, do ano 2000 até setembro de 2012 é de US$ 1,06 Bi, com US$ 1,38 Bi e importações de US$ 325,3 Mi.

Em 2012 os 5 primeiros itens do mix exportado, que correspondem a 88% do total comercializado, referem-se a bagaços de soja, soja, trigo e ceifeiras debulhadoras. Já os 5 primeiros produtos importados, representando 74% do total, são soja, partes de máquinas e aparelhos de colheita e debulha, motores diesel, rodas de eixos propulsores, máquinas e ferramentas laser e CNC.

A composição da balança comercial revela a vocação local, pelo seu perfil industrial e produtor.

Apesar do expressivo superávit na balança comercial do município, o processo de internacionalização de empresas contribuirá e muito para o desenvolvimento local e regional, bem como para o alcance das metas pretendidas pelo Plano Brasil Maior e Política Industrial do RS.

O projeto Jornadas, capitaneado pela AD – Agência de Desenvolvimento, certamente contemplará tal propósito, tendo como horizonte presente, o desenvolvimento.

Gerson Miguel Lauermann
Vice-Presidente da 20ª Fenasoja
Conselheiro da FEBAP