As duas hidrelétricas projetadas para o rio Uruguai, Roncador (Porto Vera Cruz) e Garabi (Garruchos) foram incluídas no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) lançado na segunda-feira, 29, pelo presidente Lula. A medida teve intensa repercussão na região de Santa Rosa, especialmente entre os prefeitos e lideranças empresariais. A usina projetada para Porto Vera Cruz terá reflexos econômicos em toda a região Noroeste, mas com maior impacto nos municípios costeiros, incluindo-se no grupo Alecrim, Porto Mauá, Novo Machado e Doutor Maurício Cardoso.

Valter Cardeal, diretor de Engenharia da Eletrobrás, destacou que a inclusão deve antecipar o início das obras para 2012. A pressa maior é da Argentina, que tem carência urgente de energia elétrica. As duas usinas são alvos de discussões de várias décadas entre os dois países. Ronaldo Custódio, diretor técnico da Eletrosul, fez uma declaração que aumentam as esperanças: “agora existe a decisão política dos dois governos”.

Custódio explica que inicialmente deve ser elaborado o estudo ambiental e o cadastro socioeconômico, para identificar a população afetada. O licenciamento ambiental é o principal obstáculo a ser vencido, projeta Custódio, para que as obras possam iniciar em 2012. Ainda não está definido o porte que terá a hidrelétrica do Roncador, mas especula-se que a usina deverá ter uma capacidade de aproximadamente mil megawatts, o que exigiria um investimento em torno de R$ 2 bilhões. A produção de energia é estimada para 2018.

O cenário da região começará a ser transformado radicalmente já na fase de construção da barragem. O projeto original, que previa a geração de 1,8 mil megawatts, geraria cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos. O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Carlos Faria, destaca que o empreendimento contribuirá para aumentar a integração energética entre Argentina e Brasil. Além disso, permitirá que o Rio Grande do Sul “importe” menos energia de outras regiões do País.

Faria argumenta que o fato de o projeto de Garabi ser incluído nas obras do PAC 2 pode facilitar questões como financiamento e agilizar os licenciamentos ambientais. “Afinal, é um compromisso assumido pelo governo”, salienta o coordenador do grupo temático de energia da Fiergs. Faria acrescenta que há uma grande probabilidade de que a Eletrobras conduza as obras da usina através da sua subsidiária Eletrosul.

Fonte: Jornal Noroeste