Agência de Desenvolvimento defende a melhoria dos serviços

Para Gerson Pohl, presidente da Agência de Desenvolvimento de Santa Rosa (AD), ninguém pode negar que os serviços que vêm sendo prestados atualmente pela Corsan não correspondem ao grau de exigência que o usuário que paga a conta mensal merece. Ele teme que a discussão instalada na cidade seja levada para o campo ideológico, numa espécie de confronto entre privatização e estatização dos serviços. “Não defendemos nem uma, nem outra alternativa. O que a AD defende é a melhoria considerável dos serviços, que pode vir através de uma empresa pública ou privada, contanto que garanta avanços”, esclareceu.

Lembrou que a última vez que a Agência de Desenvolvimento tratou desse assunto foi durante a campanha eleitoral, com a presença das três candidaturas majoritárias. “Naquele encontro foram tomadas algumas decisões e que vêm sendo cumpridas. Uma delas era a necessidade de assinar um contrato emergencial com a Corsan, o que já ocorreu. Outra é que Alcides Vicini encaminharia uma proposta à Câmara propondo mudanças na legislação, para permitir que o próximo prefeito promova ou não a licitação”, resgatou, para acrescentar: “acho que o prefeito Vicini deve apenas aguardar a aprovação do projeto na Câmara e não ir mais adiante, deixando que o futuro governo dê seqüência às novas etapas”.

Gerson Pohl insiste que o debate não pode desconsiderar a baixa qualidade dos serviços que vêm sendo prestados, especialmente na questão do esgoto cloacal. “Estou construindo e posso citar um exemplo pessoal. Para encaminhar junto à Corsan o pedido de ligação da água, foram necessários 30 dias, mesmo pagando as taxas. Depois tive que pagar antecipadamente uma outra taxa para uma empresa habilitada para tapar o buraco. Essa empresa levou seis meses para fazer o trabalho, o que é inadmissível”, citou.

Insiste que a licitação não significa a privatização dos serviços, porque a própria Corsan pode vencer a concorrência ou a Prefeitura optar pela criação de uma autarquia municipal. “Sabemos que a Corsan já apresentou uma proposta à Prefeitura, que comprovadamente não resolve todos os problemas que os serviços apresentam”, acentuou.

O presidente da Agência de Desenvolvimento considera assustador o volume de água que se perde em Santa Rosa por falhas do sistema. “Fomos informados através de um estudo realizado a pedido do município, que as perdas chegam a 60%. Isso significa que de cada 100 litros de água captados do rio Santo Cristo, apenas 40 litros chegam aos consumidores. Mais da metade se perde em meio ao trajeto, o que é um prejuízo incalculável”, alertou.

Conclama a união da comunidade em torno do assunto, “mas num debate com espírito desarmado, sem ideologias. O CEFET é uma prova de que só foi viabilizado graças à unidade da comunidade. Ao contrário disso, vejam a história da ponte internacional, que há mais de 40 anos vem sendo pleiteada e não sai do papel por que a região não consegue se unir”. Concluiu abordando a questão do esgoto: “a cidade continua implantando fossas sépticas, ameaçando nosso lençol freático, porque não há investimentos na rede de esgoto cloacal”.

FONTE: JORNAL NOROESTE – 24/10/2008