12/04/2008 – Santa Rosa – A partir de amanhã, quando os empresários do setor metal-mecânico de Santa Rosa Moacir Maronês, representando a Associação Comercial, industrial, de Serviços e Agropecuária de Santa Rosa (Acisap), Irálcio Amorim e Arlei Silva, pela agência de Desenvolvimento (AD) e Marcos Muskopf, que representa o sindicato das Indústrias Metalúrgicas, mecânicas e de Material Elétrico de Santa Rosa (Simmmers), embarcarem para a Rússia junto com uma comitiva formada, entre outros, pelos secretários estaduais de Segurança, José Francisco Mallmann, e da Saúde, Osmar Terra, e pelo secretário-adjunto do Desenvolvimento e de Assuntos Internacionais estará mais próxima a possibilidade do município atrair pesados investimentos estrangeiros na instalação de uma nova indústria do setor. A viagem dos quatro santa-rosenses será custeada pela prefeitura.

Os empresários vão retomar os contatos com a fábrica de veículos blindados de uso militar GAZ, que negocia desde 2003 a instalação de uma unidade no Rio Grande do Sul e já visitou o pólo metal-mecânico de Santa Rosa em janeiro deste ano. A indústria russa é a fabricante dos carros de combate com rodas Tiger e dos utilitários esportivos Tiger 2, incluídos na categoria SUV (sigla para Sport Utility Vehicle ou Veículo Utilitário Esportivo), a mesma de veículos como o Hummer.

A missão gaúcha pretende demonstrar aos russos da Rosoboronexport, estatal responsável pela exportação de tecnologia de defesa, de que a região de Santa Rosa é o melhor local para receber a unidade, depois que a empresa teria praticamente descartado a instalação na região de Caxias do Sul, que seria a primeira opção da empresa.

Para isso, a comitiva vai apresentar um material que mostra o potencial da cidade e da região, os produtos fabricados pelo setor e informações de logística. A principal intenção dos empresários é conhecer o projeto da empresa e a fabricação dos modelos para então estabelecer as bases para uma negociação que, se não conquistar a instalação da fábrica, ao menos possibilite contratos de fornecimento para as empresas da região.

Ricardo Marques, representante da indústria para a América Latina, afirmou que as chances de Santa Rosa ser contemplada com o investimento russo são boas. “A chance é muito grande. Eu não tenho dúvida que a Rosoboron virá para o Rio Grande do Sul por motivos estratégicos e pela competência concentrada na área de tecnologia”. Ele não especula o valor do empreendimento, mas estima-se que a fábrica exigiria pelo menos R$ 50 milhões para ser instalada.

Investimentos de US$ 15 milhões seriam necessários para fábrica

“Estamos tateando”, revelou Carlos Lozekan, secretário de Administração de Santa Rosa. “É preciso saber primeiro o que a fábrica quer, o tamanho da área que vai utilizar, que materiais vai usar, para depois pensarmos em oferecer área e subsídios” avalia.

De acordo com o secretário, a empresa teria desistido da instalação na serra gaúcha porque a Agrale, indústria de Caxias do sul, entrou no mercado de veículos 4×4 com uma versão atualizada e melhorada do jipe da Engesa, empresa que fornecia os blindados Urutu e Cascavel para o exército brasileiro. Segundo a empresa, que no ano passado esteve três vezes no estado reunidos com a governadora Yeda Cusius, o projeto é fabricar cerca de 300 unidades por ano. Uma das exigências da empresa seria a comercialização no Brasil de 32 veículos. Atualmente, o valor de cada unidade do blindado Tiger é US$ 200 mil.

Para que se concretizem, a iniciativa privada brasileira teria que investir em torno de US$ 15 milhões para formar uma parceria empresarial com os estrangeiros. O secretário adjunto do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), Josué de Souza Barbosa, que estará na comitiva, diz que o primeiro passo da visita é constatar se é interessante para o estado comprar os veículos da empresa. Se as negociações evoluírem, a empresa, que deverá gerar 700 empregos diretos, deverá comercializar os veículos (os russos não descartam a produção do modelo civil) para outros países da América do Sul.

Estado teria vantagens competitivas para vender a países do Mercosul

De acordo com especialistas em temas ligados à Defesa, existe mercado para a instalação da indústria e o estado pode apresentar vantagens competitivas, se a intenção for ampliar a comercialização para os países do Mercosul. O estado teria condições de fornecer matéria-prima para a produção de carros militares a partir dos fornecedores de peças para a indústria de automóveis, caminhões e máquinas agrícolas.

Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, afirma que, embora possa ser utilizado pelo exército, o blindado é mais indicado para uso policial. Ele acredita que, se houver decisão do governo de renovar a frota militar, haveria mercado para a instalação de uma unidade no país.

Mesmo assim, dois fatos podem atrapalhar os planos dos russos: o governo federal assinou em dezembro um contrato com a Fiat/Iveco para o desenvolvimento de um protótipo que substitua a atual frota de blindados brasileira, e a Agrale, de Caxias, já homologou sua participação nas licitações do governo para o fornecimento dos veículos.

Atualmente, o Brasil conta com 409 blindados Cascavel (comporta quatro pessoas e é uma opção para reconhecimento de terreno e apoio a operações) e 223 Urutus (para transporte de tropa, com capacidade para 12 pessoas). Boa parte desses veículos estaria deteriorada e fora de operação. A produção, das décadas de 1970 e 1980, é da brasileira Engesa, que fechou suas portas em 1995. Segundo Bastos, o exército está defasado, e a demanda para veículos blindados de rodas ultrapassaria duas mil unidades.

Conheça a empresa

A GAZ, sigla russa para Planta Automotiva Gorky, foi implantada em 1930 como parte do primeiro Plano Qüinqüenal de Stalin para industrializar o país. Uma grande área de terra em Nizhny Novgorod foi destinada ao propósito. Hoje, a cidade, distante cerca de 700 quilômetros da capital Moscou, é o maior pólo automotivo russo, e tem uma população estimada em 1,5 milhão de pessoas. Curiosamente, uma companhia americana foi selecionada para construir a fábrica.

Entre os anos 50 e 80 do século XX, após ter se consolidado produzindo os carros de combate soviéticos utilizados na Segunda Guerra Mundial, a GAZ fabricou principalmente caminhões e legendários veículos soviéticos como o Pobida, o Tschaika e várias gerações da linha Volga. Atualmente, a GAZ é a principal fabricante de caminhões da Rússia e a segunda maior produtora de automóveis e miinivans do país.

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Os empresários vão retomar os contatos com a fábrica de veículos blindados de uso militar GAZ, que negocia desde 2003 a instalação de uma unidade no Rio Grande do Sul e já visitou o pólo metal-mecânico de Santa Rosa em janeiro deste ano. A indústria russa é a fabricante dos carros de combate com rodas Tiger e dos utilitários esportivos Tiger 2, incluídos na categoria SUV (sigla para Sport Utility Vehicle ou Veículo Utilitário Esportivo), a mesma de veículos como o Hummer.

A missão gaúcha pretende demonstrar aos russos da Rosoboronexport, estatal responsável pela exportação de tecnologia de defesa, de que a região de Santa Rosa é o melhor local para receber a unidade, depois que a empresa teria praticamente descartado a instalação na região de Caxias do Sul, que seria a primeira opção da empresa.

Para isso, a comitiva vai apresentar um material que mostra o potencial da cidade e da região, os produtos fabricados pelo setor e informações de logística. A principal intenção dos empresários é conhecer o projeto da empresa e a fabricação dos modelos para então estabelecer as bases para uma negociação que, se não conquistar a instalação da fábrica, ao menos possibilite contratos de fornecimento para as empresas da região.

Ricardo Marques, representante da indústria para a América Latina, afirmou que as chances de Santa Rosa ser contemplada com o investimento russo são boas. “A chance é muito grande. Eu não tenho dúvida que a Rosoboron virá para o Rio Grande do Sul por motivos estratégicos e pela competência concentrada na área de tecnologia”. Ele não especula o valor do empreendimento, mas estima-se que a fábrica exigiria pelo menos R$ 50 milhões para ser instalada.

Investimentos de US$ 15 milhões seriam necessários para fábrica

“Estamos tateando”, revelou Carlos Lozekan, secretário de Administração de Santa Rosa. “É preciso saber primeiro o que a fábrica quer, o tamanho da área que vai utilizar, que materiais vai usar, para depois pensarmos em oferecer área e subsídios” avalia.

De acordo com o secretário, a empresa teria desistido da instalação na serra gaúcha porque a Agrale, indústria de Caxias do sul, entrou no mercado de veículos 4×4 com uma versão atualizada e melhorada do jipe da Engesa, empresa que fornecia os blindados Urutu e Cascavel para o exército brasileiro. Segundo a empresa, que no ano passado esteve três vezes no estado reunidos com a governadora Yeda Cusius, o projeto é fabricar cerca de 300 unidades por ano. Uma das exigências da empresa seria a comercialização no Brasil de 32 veículos. Atualmente, o valor de cada unidade do blindado Tiger é US$ 200 mil.

Para que se concretizem, a iniciativa privada brasileira teria que investir em torno de US$ 15 milhões para formar uma parceria empresarial com os estrangeiros. O secretário adjunto do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), Josué de Souza Barbosa, que estará na comitiva, diz que o primeiro passo da visita é constatar se é interessante para o estado comprar os veículos da empresa. Se as negociações evoluírem, a empresa, que deverá gerar 700 empregos diretos, deverá comercializar os veículos (os russos não descartam a produção do modelo civil) para outros países da América do Sul.

Estado teria vantagens competitivas para vender a países do Mercosul

De acordo com especialistas em temas ligados à Defesa, existe mercado para a instalação da indústria e o estado pode apresentar vantagens competitivas, se a intenção for ampliar a comercialização para os países do Mercosul. O estado teria condições de fornecer matéria-prima para a produção de carros militares a partir dos fornecedores de peças para a indústria de automóveis, caminhões e máquinas agrícolas.

Expedito Bastos, pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora, afirma que, embora possa ser utilizado pelo exército, o blindado é mais indicado para uso policial. Ele acredita que, se houver decisão do governo de renovar a frota militar, haveria mercado para a instalação de uma unidade no país.

Mesmo assim, dois fatos podem atrapalhar os planos dos russos: o governo federal assinou em dezembro um contrato com a Fiat/Iveco para o desenvolvimento de um protótipo que substitua a atual frota de blindados brasileira, e a Agrale, de Caxias, já homologou sua participação nas licitações do governo para o fornecimento dos veículos.

Atualmente, o Brasil conta com 409 blindados Cascavel (comporta quatro pessoas e é uma opção para reconhecimento de terreno e apoio a operações) e 223 Urutus (para transporte de tropa, com capacidade para 12 pessoas). Boa parte desses veículos estaria deteriorada e fora de operação. A produção, das décadas de 1970 e 1980, é da brasileira Engesa, que fechou suas portas em 1995. Segundo Bastos, o exército está defasado, e a demanda para veículos blindados de rodas ultrapassaria duas mil unidades.

Conheça a empresa

A GAZ, sigla russa para Planta Automotiva Gorky, foi implantada em 1930 como parte do primeiro Plano Qüinqüenal de Stalin para industrializar o país. Uma grande área de terra em Nizhny Novgorod foi destinada ao propósito. Hoje, a cidade, distante cerca de 700 quilômetros da capital Moscou, é o maior pólo automotivo russo, e tem uma população estimada em 1,5 milhão de pessoas. Curiosamente, uma companhia americana foi selecionada para construir a fábrica.

Entre os anos 50 e 80 do século XX, após ter se consolidado produzindo os carros de combate soviéticos utilizados na Segunda Guerra Mundial, a GAZ fabricou principalmente caminhões e legendários veículos soviéticos como o Pobida, o Tschaika e várias gerações da linha Volga. Atualmente, a GAZ é a principal fabricante de caminhões da Rússia e a segunda maior produtora de automóveis e miinivans do país.

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