Agropecuária
Agricultura
Berço Nacional da Soja
Foi na então Colônia Santa Rosa que o pastor Albert Lehenbauer, em 1923, trouxe dos Estados Unidos uma garrafa com as primeiras sementes de soja. Mas não foi a oleaginosa a única a encontrar terra fértil por aqui. O trigo e o milho, entre outras culturas, comprovam que, em Santa Rosa, tudo que se planta se colhe. A agricultura, desde os primórdios e ainda hoje, é importante força a mover o município para frente. A soja ganhou cultivo em escala na região na década de 60 e início dos anos 70. Foi nesta época que a região deu início a um processo de mecanização e modernização agrícola que se tornou referência estadual e nacional. Isso só depois da pioneira Operação Tatu, desencadeada com o objetivo de reverter o processo de esgotamento do solo, causado por técnicas inadequadas de cultivo. Desde então, com produções maiores a cada safra, a agricultura vem desencadeando o crescimento do município não só no setor primário, mas em todos os outros segmentos – foi a produção rural que desencadeou o surgimento do pólo metal-mecânico.
Números atuais apontam a extração vegetal como uma das principais geradoras de valor adicionado ao município. Além da importância econômica, a agricultura mantém milhares de famílias no campo. O trabalho das cooperativas santa-rosenses contribui decisivamente para o desenvolvimento do setor primário. A Cooperativa Mista São Luis (Coopermil) e a Cooperativa Tritícola Santa Rosa (Cotrirosa), com seus cerca de 10 mil agricultores associados, bem como a Emater, entre outros, ajudam a organizar a produção, prestando assistência técnica e na manutenção de preços aos agricultores. Juntas, as duas cooperativas recebem anualmente centenas de milhares de toneladas de grãos, especialmente soja, trigo e milho.
PECUÁRIA
A pecuária desempenha papel fundamental no setor primário de Santa Rosa. Não só pelo fato de que o município é o centro da maior bacia leiteira do Rio Grande do Sul. Também a suinocultura recupera o espaço que sempre teve no sul do país e, mais recentemente, os rebanhos de gado de corte e de ovinos proliferam.
Bovinocultura leiteira
A região da Grande Santa Rosa possui tradição no setor lácteo. Os cerca de 13 mil produtores de 20 municípios apostam no empreendedorismo e na mão-de-obra qualificada, quase sempre familiar. Um rebanho de 140 mil animais é responsável por uma produção diária de cerca de 550 mil litros – junto com as regiões Celeiro e Missões, a produção chega a 1,2 milhão de litros por dia. O crescimento da produção leiteira é em média de 10% ao ano – isso se deve, em parte, ao fato de que cada vez mais agricultores migram da produção de grãos para a pecuária leiteira.
Fundamental para o sustento de inúmeras famílias de pequenos agricultores (em sua maioria, com propriedades de até 30 hectares), a atividade leiteira conta com o suporte de diversas entidades envolvidas diretamente com a produção rural. Cursos técnico-profissionalizantes na área agrícola contribuem para a formação de mão-de-obra entre os jovens, que levarão adiante a atividade herdada dos pais e avós. Além disso, a preocupação com a qualidade e a inovação tecnológica são constantes. Estima-se que na região da Grande Santa Rosa existam cerca de 3 mil tanques de expansão direta para recepção nas propriedades rurais e mais de 10 mil ordenhadeiras mecânicas.
Suinocultura
A suinocultura tem uma história de sucesso em Santa Rosa. No passado, o município chegou a ser um dos maiores produtores de suínos do Rio Grande do Sul. Hoje, vem retomando lugar de dianteira. Contribui para isso o bom momento da atividade, especialmente após a abertura do mercado russo e do leste europeu para a carne suína. Os suinocultores de hoje dispõem de boa infra-estrutura e mantêm criações integradas: ou atuam como produtores de leitões ou como terminadores. Fornecendo a frigoríficos e indústrias, conseguem bom retorno. Estima-se que o número de matrizes atualmente em produção no município seja de sete mil, sendo que cada uma gera uma média de 24 leitões por ano. Números condizentes com uma atividade que recupera espaço e se torna uma alternativa viável e rentável no campo.
Gado de corte e ovinocultura
De alguns anos para cá, a criação de gado de corte vem se configurando uma alternativa viável para agricultores santa-rosenses e da região. A Raça Brahman, especialmente, entre outras raças zebuínas – que se adaptam melhor às condições locais –, têm trazido bons resultados. Questões de mercado trazem perspectivas ainda melhores. Criando para abate, os produtores não descuidam da parte genética, já um diferencial do rebanho da região – não apenas do gado de corte, mas de todas as criações. Mais recente ainda é a ovinocultura, também bastante promissora no município. A criação de ovelhas ganha cada vez mais espaço e, a julgar pelos bons resultados proporcionados, tende a se tornar uma atividade de destaque num futuro próximo.
Cavalos crioulos
Nos campos de Santa Rosa e região, também vêm conquistando espaço cavalos crioulos. Um grupo de criadores da raça crioula fundou o Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos do Noroeste Gaúcho, que hoje reúne mais de 50 associados participantes. A divisão de experiências e a soma de conhecimentos estão em pauta nas reuniões quinzenais do grupo. Todos os anos é realizada prova credenciadora ao Freio de Ouro, que reúne animais de todo o estado em busca de uma vaga para a maior prova de eqüinos do país. Exposições morfológicas também são realizadas anualmente, oportunidade para a exposição dos novos animais e de conhecimento dos resultados dos diversos cruzamentos que os criadores desenvolvem nas cabanhas.